O Método de Newton tem convergência quadrática, mas exige a derivada em todo passo e às vezes calculá-la é difícil. O Método da Secante resolve isso.
A ideia é: em vez de usar a tangente exata em , aproxima-se pelo quociente de diferenças entre os dois últimos pontos:
Substituindo isso na fórmula de Newton:
Essa é a relação de recorrência do Método da Secante. Para iniciá-la, são necessários dois pontos iniciais e , só dois chutes próximos o suficiente da raiz.
A interpretação geométrica
Newton usa a reta tangente em um único ponto. A Secante usa a reta que passa pelos dois pontos mais recentes da sequência.
Dados e , a reta que passa pelos dois é uma secante à curva . O zero dessa reta é .
À medida que e se aproximam da raiz, a secante se aproxima da tangente. O método converge pelo mesmo motivo que Newton, mas um passo atrás.
Note como a primeira secante, entre e , já aponta para perto da raiz. A partir daí, os dois pontos ficam cada vez mais próximos e a secante se estabiliza.
Implementando em Python
1import math2
3def f(x):4 return x * math.log10(x) - 15
6def secante(f, x0, x1, eps=1e-5):7 k = 08 while True:9 fx0, fx1 = f(x0), f(x1)10 x2 = x1 - fx1 * (x1 - x0) / (fx1 - fx0)11 erro = abs(x2 - x1) / abs(x2)12 k += 113 print(f"Iteração {k:2d}: x = {x2:.8f}, f(x) = {f(x2):.2e}, erro = {erro:.2e}")14 if erro < eps:15 return x216 x0, x1 = x1, x217
18raiz = secante(f, x0=2, x1=3)19print(f"\nRaiz encontrada: {raiz:.6f}")Rodando com , :
1Iteração 1: x = 2.47984830, f(x) = -2.19e-02, erro = 2.10e-012Iteração 2: x = 2.50496429, f(x) = -1.02e-03, erro = 1.00e-023Iteração 3: x = 2.50618751, f(x) = 2.80e-06, erro = 4.88e-044Iteração 4: x = 2.50618415, f(x) = -3.55e-10, erro = 1.34e-065
6Raiz encontrada: 2.5061845 iterações para . Mais do que Newton (4), mas bem menos do que a bissecção (17). E sem precisar calcular nenhuma derivada.
Convergência superlinear
A ordem de convergência do Método da Secante é . Não é linear () como a bissecção, nem quadrática () como Newton, mas fica no meio termo.
Esse valor sai da análise de como o erro se propaga quando se aproxima pelo quociente de diferenças. A demonstração usa uma equação de recorrência que resulta naturalmente na razão áurea como solução.